A crise enfrentada por Casas Bahia e Marabraz pode se alastrar para outras varejistas até 2027, segundo Claudio Damasceno, sócio da RGF Bizdoc. Ele atribui a situação à combinação de juros elevados e mudanças estruturais no comércio, fenômeno de alcance global.
Damasceno afirmou que o crescimento recente das vendas não anula os desafios de empresas com estruturas pesadas, crédito caro e lentidão na adaptação aos novos hábitos de consumo. O problema, na visão do especialista, ultrapassa o cenário econômico brasileiro, sendo uma mudança estrutural causada pela tecnologia no varejo mundial.
No caso específico das Casas Bahia, o especialista indicou que a demora em adotar o modelo omnichannel contribuiu para as dificuldades atuais. Ele recordou que a tentativa de recuperação extrajudicial em 2024 apontou a necessidade de mudanças urgentes que não foram implementadas a tempo.
As dificuldades de Casas Bahia e Marabraz são semelhantes, mas a capacidade de negociar com fornecedores será um ponto de observação. Após pedidos de recuperação judicial, os fornecedores tendem a se afastar, o que afeta o estoque. Nas Casas Bahia, a queda de estoque registrou 20% nos últimos três meses.
Damasceno projeta uma ampliação da crise, tanto no tempo quanto no número de empresas afetadas. Ele alertou que o longo período de juros altos forçará um enxugamento no mercado, onde apenas empresas capazes de reorganizar dívidas sobreviverão.


