A cultura digital transformou hábitos cotidianos, como exercícios e alimentação, em metas de alto desempenho sob a lógica do “maxxing”. Especialistas em saúde mental alertam que essa cobrança constante por produtividade gera um ciclo de insatisfação e ansiedade.
A tendência, impulsionada por vídeos curtos, leva indivíduos a tratar atividades diárias como indicadores de sucesso. Segundo Fernanda Tochetto, psicóloga e fundadora do Tittanium Club, o cerne do problema não é o desejo de evoluir, mas a mudança de propósito: “A pessoa deixa de fazer algo porque aquilo faz bem e passa a fazer apenas para provar que está evoluindo”.
A especialista explica que a internet converte a rotina em uma vitrine permanente. Atividades saudáveis passam a funcionar como um currículo de eficiência, onde o descanso também deve parecer produtivo. “Quando o descanso precisa ser produtivo, existe um sinal de alerta. A vida deixa de ser vivida e passa a ser constantemente avaliada”, disse Tochetto.
O ciclo do “sempre mais” interfere no processamento de realizações, gerando insatisfação permanente. Ao atingir uma meta, o indivíduo sente a necessidade de buscar um novo objetivo. Além disso, o foco em padrões estéticos, como no looksmaxxing, fragiliza a autoestima, que passa a depender de fatores externos.
Tochetto alerta que a ansiedade cresce com o medo de ficar para trás, e o burnout surge quando a cobrança excede a capacidade física e emocional. Ela conclui que “Metas precisam servir à sua vida, e não o contrário”, defendendo que a produtividade deve incluir qualidade de vida.

