A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que a gestora americana Centaurus realize, em até 60 dias, a oferta pública de aquisição (OPA) de ações da Oncoclínicas. A decisão, tomada por unanimidade pelo colegiado do órgão na última terça-feira, garante a participação de todos os acionistas minoritários que possuíam papéis até a véspera da oferta.
O prazo para a execução da operação começou a contar no dia 25 de agosto e termina em 25 de outubro. A CVM definiu como fato gerador da OPA o dia 4 de novembro de 2024, data em que o fundo Josephina III, administrado pela Centaurus, atingiu 16,05% do capital da companhia.
O volume de ações acionou a cláusula poison pill do estatuto da empresa, que exige a abertura de oferta pública quando um acionista ultrapassa 15% de participação. Por isso, o preço dos papéis será calculado desde a data do fato gerador até a liquidação, com atualização pela Taxa Selic.
A medida deve elevar o valor a ser pago pela Centaurus para além dos R$ 6 bilhões inicialmente previstos pelo mercado. A gestora americana argumentava que já era acionista desde o IPO da rede por meio de fundos do Goldman Sachs.
O pedido de OPA foi levado ao regulador pela gestora brasileira Latache, que detém 14,59% dos papéis e é atualmente a maior acionista da rede. A Latache é especializada em ativos estressados. No último fim de semana, a Centaurus moveu um pedido de arbitragem contra a empresa brasileira na B3.
A decisão ocorre enquanto a Oncoclínicas enfrenta crise financeira. Em meados de julho, a rede de tratamento oncológico formalizou um processo de recuperação extrajudicial para lidar com um passivo que soma R$ 5,1 bilhões.


