A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo sancionador contra dois ex-diretores de Relações com Investidores da Ambipar. A ação apura o não cumprimento das obrigações de transparência exigidas das companhias abertas, após a auditoria independente sinalizar irregularidades.
A investigação teve início quando a Deloitte comunicou ao regulador o encerramento de seu contrato de auditoria. A empresa também informou que a substituição da auditoria independente não foi divulgada oficialmente ao mercado, procedimento exigido pela regulamentação para companhias com ações negociadas em Bolsa. Os acusados eram responsáveis pela divulgação de informações obrigatórias aos investidores.
Durante a revisão das demonstrações financeiras do segundo trimestre do ano passado, a Deloitte destacou que mais de R$ 2 bilhões dos R$ 4,6 bilhões em caixa da Ambipar estavam aplicados em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Essa aplicação não havia sido divulgada anteriormente aos investidores.
Além disso, a CVM intensificou a fiscalização sobre a recuperação judicial da companhia. O órgão solicitou acesso a documentos sigilosos, pois a Ambipar não disponibilizou integralmente as demonstrações contábeis exigidas pela Lei de Recuperação e Falências, como balanço patrimonial e demonstração de resultados.

