Dados divulgados pelo Bradesco no balanço do segundo trimestre de 2026 indicam deterioração na qualidade dos empréstimos do agronegócio. Cerca de 10% da carteira do John Deere Bank migrou para risco aumentado, o que gera alerta para o setor bancário, especialmente para o Banco do Brasil.
O relatório do JPMorgan apontou que, apenas no segundo trimestre, aproximadamente R$ 1,7 bilhão em operações do John Deere Bank passaram da categoria Stage 1 para Stage 2. Essa mudança representa cerca de 9,6% do portfólio, que totalizava R$ 17,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. A migração para Stage 2 exige que os bancos provisionem perdas para toda a vida útil do contrato, elevando custos de financiamento.
Os analistas do JPMorgan classificaram o movimento como preocupante, sugerindo que o agronegócio brasileiro enfrenta um momento mais difícil que em 2025. O Banco do Brasil, por sua vez, é considerado o caso mais relevante, visto que o crédito rural compõe cerca de 32% de sua carteira ampliada de empréstimos.
Embora haja cautela no curto prazo, o relatório menciona que parte das operações em Stage 2 pode retornar a categorias de menor risco no segundo semestre. Além disso, o mercado acompanha a expectativa de que uma medida governamental possa aliviar a pressão financeira dos produtores rurais no terceiro trimestre.


