Os advogados de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), pediram ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão ou a remessa ao Supremo de inquérito que apura fraudes em contratos com a Prefeitura de São Paulo.
A defesa argumenta que a investigação estadual visa descobrir se o filme “Dark Horse”, obra sobre Jair Bolsonaro (PL), foi financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo os advogados, esse objeto atrai a competência do STF, pois os fatos estariam conectados a inquéritos já relatados pelo ministro Mendonça.
A apuração começou no dia 1 de junho, com a Operação Wi-Fi da Polícia Civil. O objetivo é investigar a suspeita de fraude em uma licitação de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo, vencida pelo ICB. Karina Ferreira da Gama e a administração municipal negam qualquer irregularidade.
A Polícia Civil solicitou acesso a análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as contas do ICB, da Go Up e da empresária. Uma das hipóteses é que parte dos recursos públicos tenha sido desviada para a Go Up durante a produção do longa.
O orçamento de “Dark Horse” teria sido bancado em mais de 90% por Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas pela Polícia Federal em um aparelho do banqueiro indicam que o financiamento secreto foi tratado com Flávio Bolsonaro (PL), mesmo após a prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias em novembro de 2025.
Os defensores afirmam que o delegado do caso admitiu a necessidade de identificar a origem do financiamento privado do filme. A defesa cita suspeitas de confusão patrimonial e a possibilidade de verbas do programa WiFi Livre SP terem custeado a produção cinematográfica.

