O Ministério da Defesa chega à reta final de 2026 sem receber R$ 5 bilhões previstos para projetos estratégicos das Forças Armadas. A ausência do montante ocorre apesar de promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar investimentos no setor em um eventual quarto mandato no Executivo.
Os valores fazem parte de um plano de R$ 30 bilhões para investimentos em seis anos, formulado fora da meta fiscal. A medida, articulada pelo ministro José Múcio, visava garantir a continuidade de programas como a renovação da frota de caças Gripen e o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro.
Para este ano, a pasta dispunha de R$ 2,5 bilhões no teto de gastos, com outros R$ 2,5 bilhões antecipados no ano anterior. Para completar a meta de R$ 5 bilhões, o governo aprovou a antecipação de R$ 2,5 bilhões previstos originalmente para 2028. No entanto, os recursos ainda não foram transferidos.
A situação gera insatisfação interna e ceticismo sobre a viabilidade de novos aportes. Interlocutores da pasta afirmam que as restrições orçamentárias comprometeram a manutenção de equipamentos e a capacidade operacional, enquanto países vizinhos ampliam gastos militares devido à instabilidade internacional.
O cenário contrasta com a fala do presidente no dia 2 de agosto, durante convenção partidária, quando afirmou que é preciso investir na defesa nacional para evitar vulnerabilidades externas. O discurso ganhou força após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela em janeiro.
Atualmente, a Defesa é o ministério com o maior bloqueio total em valor absoluto na Esplanada, com R$ 4,3 bilhões retidos em gastos não essenciais, como obras. Em julho, o governo anunciou um desbloqueio do Orçamento, mas a pasta não foi beneficiada.


