O déficit primário estrutural do governo central dobrou em um ano, chegando a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no período de quatro trimestres finalizado em junho. O dado foi divulgado nesta quinta-feira, 20, pela Instituição Fiscal Independente (IFI).
No mesmo período de 2025, o indicador registrado era de 0,7% do PIB. A IFI calcula este número desconsiderando receitas e despesas extraordinárias e ajustando os valores aos efeitos do ciclo econômico e dos preços do petróleo, visando mostrar a situação das contas públicas sem fatores temporários.
O resultado primário convencional também se deteriorou. O superávit de 0,1% do PIB registrado anteriormente deu lugar a um déficit de 1,1% no acumulado de quatro trimestres até junho. A IFI atribui a piora ao aumento do déficit estrutural e à menor contribuição de receitas extraordinárias e do componente cíclico.
As receitas e despesas não recorrentes mantiveram saldo positivo, mas sua contribuição caiu de 0,5% para 0,2% do PIB. Em valores nominais, o resultado recuou de R$ 57,6 bilhões para R$ 22,8 bilhões. As receitas extraordinárias diminuíram de R$ 87,2 bilhões para R$ 40,2 bilhões.
Rafael Bacciotti e Alexandre Andrade, autores do relatório fiscal, alertam que a expansão fiscal e a piora do resultado estrutural são pontos de atenção. Os especialistas também apontam para a possível perda de força das receitas extraordinárias e do componente cíclico, que ainda ajudam o resultado convencional.

