O desembargador Márcio Roberto de Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), publicou nas redes sociais um extrato bancário para mostrar que havia encerrado o mês com saldo de R$ 96,10. A publicação ocorreu em 19 de agosto, um dia antes do pagamento de sua remuneração, que chegou a R$ 70.082,99 líquidos naquele mês.
O extrato apresentado pelo magistrado registrava saldo negativo de R$ 161,83 na conta corrente e R$ 257,93 em uma aplicação vinculada à conta. A soma dos valores resultava nos R$ 96,10 positivos exibidos por Albuquerque.
Na publicação, o desembargador afirmou que receberia seu ‘merecido salário’ no dia seguinte e classificou parte da cobertura da imprensa sobre os vencimentos do Judiciário como ‘crítica, maliciosa e inconsistente’. Segundo ele, a remuneração é resultado de ‘muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra’.
Os dados do Portal da Transparência do TJ-AL mostram que os R$ 70.082,99 recebidos em agosto foram o maior pagamento mensal de Albuquerque em 2026 até então. O valor supera em R$ 23.716,80 o teto constitucional, atualmente de R$ 46.366,19.
Entre janeiro e julho, o desembargador recebeu, em média, R$ 65.311,38 líquidos por mês. Em todos esses meses, os valores também ficaram acima do teto constitucional. A diferença, porém, não significa necessariamente irregularidade, já que determinadas verbas indenizatórias e outras previstas em regimes específicos podem ter tratamento diferenciado no cálculo do limite remuneratório.
Albuquerque também afirmou não ter recebido os chamados ‘penduricalhos’, expressão usada para designar benefícios e verbas adicionais pagos a integrantes do serviço público. A publicação provocou críticas nas redes sociais, com usuários questionando a comparação entre o saldo bancário apresentado e a remuneração recebida pelo magistrado.


