O programa Desenrola, segunda edição, registrou a adesão de quase dez milhões de pessoas até o final de julho, segundo o Ministério da Fazenda. A iniciativa, lançada em maio, mostra sucesso na demanda, mas analistas apontam que o problema do endividamento persiste no país.
Em análise de quase três meses de vigência, o programa permitiu a renegociação de R$ 44,1 bilhões em dívidas de famílias e empresas. Os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), Flávio Ataliba Barreto e João Mário Santos de França, explicaram que o incentivo do Desenrola funciona, visto que o desconto de até 90% torna a renegociação mais atrativa.
Apesar disso, os especialistas observaram que o desenho do programa não resolve a questão estrutural. A renda disponível do brasileiro para consumo, após o pagamento de dívidas e despesas essenciais, permanece baixa segundo a consultoria Tendências. Assim, quem renegocia pode voltar a usar linhas de financiamento caras, especialmente com a Selic em dois dígitos.
O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer voltou a crescer, atingindo 82% em julho de 2026, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Entre os mais pobres, a situação é mais grave, com a proporção de endividados entre quem recebe até três salários mínimos subindo para 84,9% em julho.


