A conversa telefônica entre os presidentes Lula e Trump é vista como um avanço diplomático para normalizar as relações bilaterais. Contudo, especialistas questionam se o diálogo terá efeito prático, especialmente no que tange às tarifas comerciais.
Leonardo Paes Neves, analista do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas, afirmou que Lula consegue estabelecer um tom cordial ao falar com Trump. Segundo o professor, o presidente brasileiro tentou demonstrar que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos.
Paes Neves relatou que Lula apresentou ações brasileiras contra o crime organizado, argumentando que classificar essas facções como terroristas não auxilia os dois países. Entretanto, o analista apontou que a decisão final não cabe a Trump, mas sim a funcionários designados, como o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Márcio Sette Fortes, ex-diretor do Brasil no BID, declarou que não basta apenas repudiar as tarifas, pois os mesmos argumentos foram usados em audiência pública do USTR. Ele defendeu a necessidade de pragmatismo negocial, citando o Reino Unido, Canadá e China, que conseguiram reduzir tarifas punitivas com os EUA.

