Quadros de diarreia que persistem ou retornam com frequência, especialmente quando acompanhados de dor abdominal, sangue nas fezes e perda de peso, podem ser sinais de Doença Inflamatória Intestinal (DII). A condição engloba a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que provocam inflamações crônicas no sistema digestivo.
Dados do Ministério da Saúde e de associações de pacientes indicam que mais de 100 mil brasileiros convivem com a DII. O número pode ser superior, pois os registros oficiais focam em pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que já realizam tratamento medicamentoso.
A doença de Crohn representa mais de 50% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD). Ela pode afetar qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus, apresentando um padrão salteado de inflamação. Já a retocolite ulcerativa responde por mais de 35% dos diagnósticos e limita-se ao intestino grosso, com inflamação contínua.
Sintomas como cólicas, fadiga e redução do apetite são comuns a ambas as condições e frequentemente confundidos com problemas alimentares. A investigação médica é recomendada quando a diarreia dura mais de três dias ou apresenta muco e sangue. O diagnóstico envolve exames de sangue, fezes, colonoscopia e, em alguns casos, tomografia ou ressonância magnética.
O grupo mais atingido está na faixa etária entre 25 e 54 anos, com incidência semelhante entre homens e mulheres. Pesquisas investigam a combinação de fatores genéticos e ambientais, como a poluição, o consumo de ultraprocessados, o uso de antibióticos na infância e períodos curtos de aleitamento materno.
O tratamento é individualizado e utiliza corticoides para crises, além de anti-inflamatórios, imunossupressores e medicamentos biológicos para manutenção. Cirurgias são indicadas em casos de complicações, como fístulas ou estenoses. O acompanhamento médico deve ser contínuo mesmo durante a remissão dos sintomas para evitar novas crises.

