O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou interferência indevida do senador Weverton Rocha em um processo de assassinato ocorrido em São Luís, Maranhão. A investigação, conduzida pela Polícia Federal, aponta trocas de mensagens e reuniões entre o parlamentar e o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O caso teve início em agosto de dois mil e vinte e dois, com o homicídio de um empresário em via pública. O executor foi condenado a treze anos de prisão. Três anos depois, a defesa do condenado alegou coação para não implicar um sobrinho do governador Carlos Brandão.
A alegação de coação levou à reabertura do processo, que foi remetido ao STJ, sob relatoria de Martins. A defesa, então, entrou com um habeas corpus no STF, levantando suspeitas sobre a atuação do senador Weverton Rocha no caso.
A Polícia Federal analisou mensagens do celular do senador, cujo sigilo foi quebrado em inquérito de fraudes no INSS. Os diálogos com Martins levantaram a suspeita de interferência. Dino não apontou conduta indevida do ministro do STJ nas conversas acessíveis, segundo a PF.
A defesa do réu do assassinato afirmou que houve coação por pessoas ligadas ao grupo político de Brandão, incluindo Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo maranhense, para evitar menção à suposta participação do sobrinho do chefe do Executivo.


