O diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou secretamente a Moscou nesta terça-feira (26) para alertar o governo russo contra ataques diretos a países-membro da Otan. A medida ocorreu após a inteligência dos Estados Unidos identificar a possibilidade de a Rússia planejar ciberataques ou incursões em pequena escala contra alvos europeus nos próximos anos.
Fontes informadas sobre a missão, ouvidas por agências internacionais, afirmaram que as autoridades americanas temem que Vladimir Putin possa lançar ações agressivas contra aliados europeus, especialmente em países bálticos. A preocupação estaria ligada à pressão sofrida pelo líder russo devido à guerra na Ucrânia e suas consequências internas e externas.
O presidente Donald Trump classificou a ida de Ratcliffe como uma “visita de semirrotina” e negou que a viagem estivesse relacionada a ameaças russas. Já o Kremlin rejeitou as informações, classificando a narrativa como “alarmista”. O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que a notícia não tem relação com a realidade nem com as intenções da Rússia.
Aliados europeus da Otan relataram comportamento agressivo de Moscou nos últimos meses. Entre os episódios citados estão a identificação de drones com explosivos em aeroportos da Alemanha e a abertura de uma cratera por projétil em área rural da Polônia. Jatos caça da aliança também foram acionados para abater ameaças nos espaços aéreos orientais.
A tensão aumenta com o anúncio do Reino Unido de ceder tecnologia de mísseis de longo alcance a Kiev. O governo russo declarou que a medida representa a participação de Londres na guerra e que o líder britânico busca impedir qualquer processo de paz. Em resposta, forças ucranianas intensificaram ataques aéreos contra refinarias de petróleo e redes de e-commerce em território russo.
Tanto Washington quanto Moscou negaram que Ratcliffe tenha se reunido com Putin, afirmando que as conversas ocorreram apenas com contrapartes. Esta foi a primeira vez que um chefe da inteligência dos EUA visitou a capital russa desde novembro de 2021, quando William Burns esteve na cidade durante a gestão de Joe Biden.

