O diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou uma visita discreta a Moscou nesta semana para entregar uma avaliação pessimista sobre a situação da Rússia na guerra contra a Ucrânia. Segundo autoridades, o objetivo foi incentivar o governo russo a fechar um acordo antes que a condição militar e econômica do país se deteriore ainda mais.
A mensagem foi transmitida a Aleksandr Bortnikov, chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB). Ratcliffe não fez ameaças sobre possíveis consequências caso o presidente Vladimir Putin ignore a análise e decida manter o conflito.
A agência de inteligência dos Estados Unidos mantém canais de comunicação com o FSB e com o serviço de inteligência estrangeira da Rússia, o SVR. Esses contatos ocorrem paralelamente às conversas conduzidas por Steve Witkoff, enviado do presidente Donald Trump, e por Jared Kushner.
Analistas da CIA questionam se os assessores de Putin têm apresentado ao presidente avaliações honestas sobre os custos e a trajetória da guerra. Algumas autoridades acreditam que Putin, ex-oficial de inteligência, pode considerar a mensagem direta do diretor da CIA mais urgente e confiável que os canais diplomáticos tradicionais.
No ano passado, Trump e assessores acreditavam que a vitória militar russa era inevitável. No entanto, as forças russas sofreram perdas expressivas e os avanços no campo de batalha perderam força desde então.
A visita representa a tentativa mais recente do governo Trump de retomar negociações que estão paralisadas. A Ucrânia, por sua vez, não pretende abandonar a luta no leste do país, apesar da redução do apoio militar americano.
Diante da realidade militar e econômica descrita como sombria, Ratcliffe afirmou a Bortnikov que é o momento de Moscou se engajar em negociações sérias para encerrar a guerra. Não ficou claro se a ação sinaliza mudança na política dos Estados Unidos para a região.


