Um diretor de funerária no norte da Inglaterra foi condenado a 20 anos de prisão após armazenar corpos de forma inadequada, misturar cinzas de diferentes falecidos e desviar recursos de famílias. O caso, julgado no tribunal de Hull, revelou falhas operacionais que persistiram por mais de uma década sem detecção.
A condenação expôs a ausência de um regime regulatório específico para diretores de funerária na Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte. Segundo pesquisa do Parlamento britânico, apenas a Escócia adota um código estatutário para o setor. Diante da repercussão, o governo britânico passou a estudar uma regulação mais ampla, baseada em padrões internacionais de segurança, governança e auditoria.
Para Vinícius Chaves de Mello, CEO do Grupo Riopae, o episódio ilustra como fragilidades sistêmicas se tornam visíveis apenas após a ocorrência de escândalos. O executivo afirma que desvios menores e falhas de supervisão costumam preceder eventos graves que chegam à imprensa.
Chaves de Mello menciona a norma europeia EN 15017:2019 como referência de qualidade. O padrão abrange a qualificação profissional, transporte, instalações e cuidados com o falecido, não se limitando apenas à operação técnica de crematórios.
O executivo argumenta que a confiança das famílias depende da rastreabilidade do processo, já que os parentes não acompanham etapas como a conservação do corpo e a entrada no crematório. A transparência exigiria registros claros sobre quem recebeu o falecido, quem confirmou a identidade e o destino final dos restos mortais.
No Brasil, o CEO do Grupo Riopae defende que a lição do caso britânico é a necessidade de prevenção e auditoria para evitar escândalos. Ele afirma que o desafio brasileiro é transformar boas práticas isoladas em uma cultura setorial de padrões elevados, integrando legislação e fiscalização.


