O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou à Polícia Federal que não adotou o procedimento padrão na liquidação do Banco Master. Ele justificou a restrição de informações pelo receio de que decisões e análises chegassem à imprensa e aos fiscalizados.
Em depoimento sigiloso realizado em maio, Aquino relatou que o ambiente de trabalho era “hostil e muito difícil”. Ele disse que, naquele momento, nem a própria diretoria do BC possuía conhecimento total da decisão, devido à preocupação com a exposição de dados.
Segundo o diretor, ele havia decidido pela liquidação do Master após reunião ocorrida em 17 de novembro do ano passado. A comunicação formal à diretoria veio depois desse encontro. A liquidação foi oficializada em 18 de novembro, data em que a Polícia Federal iniciou a operação Compliance Zero.
A investigação da PF envolve o ex-chefe do Departamento de Supervisão do BC e o ex-diretor de Fiscalização da autarquia, ambos afastados por ordem do ministro André Mendonça, relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF apura se os dois servidores receberam recursos do ex-banqueiro.
Aquino esclareceu que, em condições normais, vários setores seriam informados previamente sobre o processo de liquidação. Contudo, no caso do Banco Master, apenas ele, o presidente do BC, o procurador e o responsável pela execução foram notificados, e o chefe de divisão foi avisado apenas no dia anterior.

