O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, declarou à Polícia Federal que o ambiente interno do órgão era hostil durante a decisão sobre o futuro do Banco Master. Ele relatou intensos vazamentos de informações que o levaram a manter o sigilo da liquidação da instituição financeira, ocorrida em novembro do ano passado.
Aquino informou aos investigadores que escondeu a decisão de liquidação de ex-servidores do BC, incluindo Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. Esses dois servidores são investigados por receber pagamentos do ex-banqueiro. O diretor narrou como foi o dia 17 de novembro, véspera do anúncio do desligamento do Master do Sistema Financeiro Nacional.
Naquela data, Aquino e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já haviam decidido pela liquidação, pois não confiavam em ninguém. Vorcaro, o ex-banqueiro, tentou agendar uma reunião naquela segunda-feira, mas a ideia inicial era recebê-lo apenas no dia 19. Santana e Neves atuaram como intermediários, insistindo no encontro antecipado.
Em reunião realizada por volta das 12h30, Vorcaro apresentou uma proposta de venda do Master para a Fictor, por R$ 3 bilhões, junto a investidores árabes não revelados. Aquino afirmou que manteve-se neutro durante a discussão, enquanto Vorcaro demonstrava urgência, pois planejava viajar. A transação não se concretizou, e Vorcaro foi preso na noite do dia.
A decisão de manter o segredo interno sobre a liquidação foi tratada como atípica por Aquino. Em condições normais, diversos gestores seriam informados previamente. No caso do Master, apenas ele, o presidente do BC, o procurador e o responsável pela execução foram comunicados. A Controladoria-Geral da União analisa a conduta dos ex-gestores em um Processo Administrativo Disciplinar.

