O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, informou à Polícia Federal que o BTG Pactual solicitou uma carta de conforto ao BC em outubro de dois mil e vinte e cinco. O pedido visava dar segurança jurídica à compra de novos ativos do Banco Master, em um momento de deterioração financeira da instituição.
Aquino relatou que o BTG desejava evitar que a operação fosse questionada posteriormente como fraude à liquidação, caso o banco fosse liquidado. Essa solicitação seguiu o modelo usado pela J&F na aquisição da Korv Seguradora. O Master foi liquidado no mês seguinte à solicitação, coincidindo com a primeira prisão do ex-banqueiro pela Polícia Federal.
Segundo o diretor, o então diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Souza consultou a área técnica do BC sobre a emissão do documento ao BTG. A J&F, que pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista, já havia adquirido a seguradora do conglomerado por meio da PicPay. O BTG, por sua vez, comprou diversos ativos em operações que somaram cerca de R$ 1 bilhão.
A carta de conforto, conforme o depoimento, não era uma autorização de compra, mas um instrumento para reduzir o risco de a transação ser considerada irregular após a liquidação. O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Master em dezoito de novembro de dois mil e vinte e cinco.

