A dívida pública bruta dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19). O aumento expõe a fragilidade fiscal da maior economia mundial e força o país a tomar emprestado mais de US$ 2 trilhões somente neste ano.
O custo do serviço da dívida representa cerca de metade do déficit anual, pois corresponde aos juros pagos aos detentores de títulos do Tesouro americano. A escalada do endividamento não se deve a uma única política; republicanos e democratas contribuíram com expansão de gastos militares e programas sociais.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia estabelecido como meta reduzir o déficit para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2028. Contudo, Bessent reconheceu que a trajetória das contas públicas piora neste ano, citando gastos militares ligados à guerra no Irã e reembolsos de tarifas.
Medidas fiscais recentes também pressionam o orçamento. Cortes de impostos aprovados em 2025 permitem que empresas descontem custos de fábricas, estimativa que pode custar US$ 100 bilhões ao governo. A iniciativa de economia do Departamento de Eficiência Governamental, que visava US$ 1 trilhão, obteve pouco mais de US$ 200 bilhões, segundo o governo.
O aumento da dívida gera desconforto no mercado. O rendimento dos títulos de 30 anos atingiu quase duas décadas. Para conter custos, o Tesouro planeja dobrar a recompra de títulos, enquanto o Federal Reserve mantém uma carteira de aproximadamente US$ 6,8 trilhões em ativos públicos.

