O valor total das dívidas de consumidores negativados em Niterói atingiu R$ 2,07 bilhões em julho de 2026, segundo dados do Mapa da Inadimplência da Serasa. O montante representa um crescimento de 20,1% em relação a julho de 2025, quando o total devido era de R$ 1,72 bilhão.
O aumento do valor das dívidas foi quase seis vezes maior que o crescimento da quantidade de pessoas negativadas. Entre julho de 2025 e julho de 2026, o número de consumidores com nome sujo subiu 3,4%, passando de 231.032 para 238.827 pessoas. A dívida média por consumidor saltou de R$ 7.456,03 para R$ 8.662,81, alta de 16,2%.
Wanderson Castro, diretor do Conselho de Economia, afirma que os números indicam um aprofundamento da inadimplência. Para ele, o cenário mostra que quem já estava no cadastro acumulou dívidas maiores, em vez de uma entrada massiva de novos consumidores. O volume de dívidas avançou de 999.118 para 1.072.190 registros, enquanto a média de débitos por CPF subiu de 4,3 para 4,5.
O total devido ultrapassou R$ 2 bilhões pela primeira vez em abril de 2026. Em janeiro de 2025, a cidade tinha 227.652 negativados com débitos de R$ 1,53 bilhão. Em maio de 2026, o montante chegou a R$ 2,05 bilhões, atingindo o pico de R$ 2,07 bilhões em julho.
Castro atribui o movimento à inflação, que corroeu o poder de compra, somada a juros elevados que tornaram o crédito uma armadilha. A taxa Selic chegou a 15% em meados de 2025 e permaneceu nesse nível até começar a cair em 2026. O economista explica que a combinação reduz a capacidade de absorver imprevistos, gerando um efeito dominó de atrasos em faturas e contas básicas.
O mercado de trabalho também impactou o cenário. Dados do Novo Caged mostram que Niterói fechou 2024 com saldo de 7.600 empregos formais, número que caiu para 1.900 em 2025. No primeiro semestre de 2026 houve recuperação, com 4.200 vagas, mas a melhora pode demorar a refletir nos cadastros de inadimplência.
Com 238.827 negativados, o volume de pessoas com dívidas vencidas equivale a 46,2% da população de Niterói, que era de 516.787 habitantes nas estimativas do IBGE de 2025. O índice não indica que 46% da população esteja endividada, pois o cálculo inclui crianças e pessoas fora do mercado de crédito.


