Um drone russo operado por um sistema experimental de inteligência artificial autônoma matou três pessoas no dia 6 de julho, na cidade de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia. A aeronave, programada para atacar tanques de gás propano em um posto de gasolina, bateu em um muro e explodiu, atingindo civis que estavam nas proximidades.
As vítimas foram identificadas como uma estudante universitária de 19 anos, um homem de 41 anos e outro de 48 anos. Segundo comandantes militares ucranianos e equipes forenses, o equipamento não era controlado por um piloto humano, mas selecionou o alvo sozinho com base em treinamento prévio para identificar estruturas específicas.
A análise dos destroços revelou a presença de minicomputadores Jetson Orin, produzidos pela empresa Nvidia. A fabricante confirmou a autenticidade do componente, mas afirmou em nota que o produto é destinado a estudantes e startups para aplicações legítimas, ressaltando que não vende o sistema na Rússia, embora ele possa ser adquirido via revendedores.
O coronel Serhiy Minaiev, comandante da defesa aérea de Zaporizhzhia, afirmou que as máquinas estão tomando decisões de ataque e que isso representa um risco global. A apuração indica que a Rússia utiliza a cidade como campo de testes para esses drones, mirando centros de recrutamento militar e postos de combustível.
Diferente de modelos anteriores, onde a IA atuava apenas na fase final do impacto, os sistemas autônomos realizam a escolha final do alvo exclusivamente via software. Investigadores acessaram imagens do terreno e códigos de reconhecimento carregados no chip, que não estava criptografado, confirmando a programação para rastrear tanques de propano.
O governo ucraniano também realiza testes similares. Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa, informou que o país utilizou IA totalmente autônoma em ataques a depósitos de combustível na Crimeia, região ocupada pela Rússia, sem registrar mortes de civis.
Para conter os ataques, moradores de Zaporizhzhia instalaram barreiras plásticas em torno de tanques de gás para confundir os algoritmos de reconhecimento visual. A cidade, situada a 15 quilômetros da linha de frente, também utiliza redes antidrone e interceptadores operados por pilotos locais.

