Especialistas alertam que um El Niño potencialmente intenso pode alterar padrões climáticos na América Latina, região exportadora de alimentos. O fenômeno, marcado por temperaturas elevadas no Pacífico tropical, traz riscos de seca no norte e chuvas fortes no sul do continente.
O evento climático altera o clima global. Na América Latina, ele costuma intensificar chuvas no sul e elevar o risco de estiagem no norte, afetando a agricultura, a geração de energia e as rotas comerciais. Pesquisadores preveem que o fenômeno pode superar a intensidade do registro de 2015/16.
Nos Pampas, área agrícola do Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, o El Niño tende a trazer mais umidade. O meteorologista Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, afirmou que mais água pode impulsionar safras de soja, milho e trigo, mas o excesso de umidade aumenta o risco de doenças fúngicas.
A infraestrutura rural também corre risco de danos. Heinzenknecht acrescentou que estradas enlameadas podem impedir o acesso dos agricultores aos campos, dificultando a aplicação de defensivos. Chuvas intensas a partir de setembro podem causar inundações em cidades e rotas de transporte para portos.
As mudanças nas temperaturas do mar afetam a pesca comercial; no Peru, a atividade caiu 31% nos primeiros cinco meses do ano. No setor de energia, as condições mais quentes no norte e oeste do Brasil podem aumentar a demanda por gás natural argentino, segundo a Organização Latino-Americana e do Caribe para a Energia.


