O fenômeno El Niño pode provocar o deslocamento forçado de 3 milhões de pessoas na África Oriental, segundo estudo do Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC). A previsão foca em quatro países — Quênia, Uganda, Somália e Sudão do Sul —, onde o evento climático deve afetar até 10 milhões de pessoas.
A assessora de comunicação do DRC, Pauline Wesolek, afirmou que as populações mais vulneráveis, como refugiados e deslocados internos por conflitos, são as mais expostas. Esses grupos costumam residir em áreas com maior risco de secas e inundações. Os efeitos do fenômeno já são sentidos na região, mas a expectativa é de chuvas intensas de outubro até o final do ano, podendo se estender até 2027 na Somália.
Para mitigar os danos, o DRC iniciou campanhas preventivas com transmissões de rádio, reuniões comunitárias e uso de alto-falantes em campos de refugiados. A organização também fornece assistência financeira para que as famílias consigam se realocar para locais seguros. Em 2023, 90% das pessoas que receberam esse auxílio antes das enchentes conseguiram se proteger.
O El Niño, iniciado há dois meses, pode ser um dos mais intensos já registrados, com pico de intensidade previsto para o final de 2026 ou início de 2027. O fenômeno costuma provocar secas severas no sul e oeste da África e inundações no leste do continente.
No campo econômico, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima que o impacto financeiro no continente possa chegar a US$ 50 bilhões. Segundo Anthony Nyong, chefe de política climática do BAD, o fenômeno deve reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) dos países afetados entre 1% e 2%.
O BAD alerta que a destruição de infraestruturas, a perda de colheitas e a alta nos preços dos alimentos podem gerar repercussões humanitárias graves. Os países com maior risco incluem Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Mali, Burundi e Nigéria. O banco planeja realizar uma avaliação detalhada dos impactos em setembro.

