O fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico ameaça elevar as temperaturas globais e pode tornar 2027 o ano mais quente já registrado. O fenômeno, que começou a se formar no início do verão e deve durar até 2027, atingirá seu pico de intensidade nos dois últimos meses de 2026.
Previsões indicam que o sistema provocará secas no sudeste da Ásia, no sul da África e nas regiões norte da América do Sul. Em contrapartida, áreas da África Oriental e o sul dos Estados Unidos devem enfrentar clima mais tempestuoso e risco de inundações.
Andrew Kruczkiewicz, pesquisador sênior do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade da Universidade Columbia, afirmou que o impacto afeta milhões de vidas ao alterar a pluviosidade. Segundo o pesquisador, isso repercute diretamente na produção agrícola, colheitas, logística e transporte.
Nos Estados Unidos, a tendência é de um inverno mais quente no norte e mais frio e úmido no sul. Emily Powell, climatologista estadual da Universidade Estadual da Flórida, explicou que o sudeste do país pode ter maior incidência de chuvas e risco de eventos severos, como tornados, entre o final do outono e o início da primavera.
A professora de ciência climática da Universidade Tufts, Erin Coughlan de Perez, disse que o evento pode estabelecer novos recordes. Ela defendeu que a preparação antecipada, como a limpeza de calhas e a revisão de drenagens residenciais, pode evitar grandes desastres, já que há aviso prévio sobre o fenômeno.
Governos são orientados a planejar centros de resfriamento e planos de ação para populações vulneráveis ao calor extremo. No entanto, cortes de verbas em agências federais dos EUA, como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e o Serviço Meteorológico Nacional, geram preocupações sobre a capacidade de resposta do país.
O Centro de Progresso Americano informou que os recursos da Agência Federal de Gestão de Emergências foram reduzidos a níveis críticos. Coughlan de Perez afirmou que o governo precisa investir em pessoal e infraestrutura para garantir a emissão de alertas precoces à população.


