A campanha eleitoral iniciada em 16 de agosto, combinada com a guerra no Oriente Médio e a pressão inflacionária, provocou a saída de investidores estrangeiros do Ibovespa e um fluxo cambial negativo. A indefinição dos candidatos sobre a gestão da dívida pública alimenta a expectativa de juros mais altos e pressiona a moeda brasileira.
Dados da B3 indicam que o saldo de investidores internacionais está negativo em R$ 18,7 bilhões em agosto, o pior resultado de 2026. No acumulado do ano, o saldo segue positivo em R$ 22,3 bilhões. O Banco Central informou que houve saída líquida de US$ 2,55 bilhões do início do mês até o dia 21, com a última semana registrando a saída de US$ 4,055 bilhões.
O JP Morgan reduziu a recomendação para ações brasileiras de “overweight” para “neutra” no início do mês devido à volatilidade das eleições. O banco aponta que a dívida bruta saltou de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 81,9% em junho deste ano. Segundo a instituição, o Brasil costuma ter desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições.
A projeção para a taxa Selic também mudou. No início do ano, esperava-se que o índice recuasse para 12%, mas analistas consultados pelo Boletim Focus agora preveem apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 13,75%.
O Morgan Stanley alerta que a continuidade da política econômica sem credibilidade após o pleito pode desvalorizar o real, levando o dólar a R$ 6,00. Caso seja apresentado um plano robusto de consolidação fiscal com reformas de despesas obrigatórias, a estimativa do banco é que a moeda americana fique entre R$ 4,50 e R$ 5,25.
João Daronco, analista da Suno Research, afirmou que a proximidade do pleito costuma elevar a pressão por gastos e medidas eleitorais, o que reflete nos juros futuros. Luan Aral, especialista da Genial Investimentos, disse que a continuidade da atual política fiscal sem ajustes tende a manter um prêmio de risco elevado, impactando a curva de juros a partir de 2027.


