R$ 97 milhões em emendas, indicadas pelo presidente do PL, foram enviados na semana anterior ao limite legal para repasse de recursos federais antes das eleições municipais de 2024. A Polícia Federal apura que a maior parte do dinheiro visou fortalecer candidatos do partido em municípios estratégicos.
A legislação veda a transferência de verbas da União a estados e municípios nos três meses que antecedem o pleito. No período imediatamente anterior ao fechamento da janela, seis repasses para Suzano (SP), Porto Seguro (BA), Caraguatatuba (SP), Bebedouro (SP), Ubatuba (SP) e Rio de Janeiro (RJ) somaram R$ 96,7 milhões, segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Suzano recebeu o maior valor individual, totalizando R$ 26,8 milhões em junho de 2024. A cidade era governada pelo PL, e o prefeito da época trabalhava para a eleição do sucessor, que foi eleito em outubro. O segundo maior repasse foi para a Bahia, com R$ 24,9 milhões, beneficiando um prefeito do PL em Porto Seguro.
A investigação aponta que as emendas eram indicadas pelo dirigente, que não possui mandato como deputado federal, e registradas em nome de deputados solicitantes para dar aparência de legalidade. Por isso, o ministro Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente e a suspensão das despesas ligadas às emendas.
A Prefeitura de Caraguatatuba registrou o nome do dirigente em documentos oficiais, atribuindo os maiores repasses à ‘Comissão da Saúde — Waldemar Costa Neto’, o que contradiz a versão oficial da Câmara dos Deputados, segundo a Polícia Federal.


