Empresas de médio porte no Brasil estão substituindo a revenda de catálogos pela criação de marcas próprias, desenvolvendo produtos exclusivos diretamente com fabricantes chineses. A estratégia visa a diferenciação em marketplaces, onde a concorrência baseada apenas no menor preço tem reduzido as margens de lucro do varejo.
O movimento tem apoio em dados da NielsenIQ, que indicam que quase 70% dos brasileiros consideram produtos de marca própria como boa alternativa às marcas tradicionais. Além disso, 72% dos consumidores associam esses itens a um bom custo-benefício e pretendem ampliar esse tipo de compra nos próximos anos.
Apesar do crescimento, a penetração do modelo no Brasil é baixa se comparada ao mercado europeu. Segundo a Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), as marcas próprias representam cerca de 1% do faturamento do varejo alimentar nacional, enquanto na Europa a média supera 30%, atingindo 48% na Suíça.
Rodrigo Lopes, CEO da Global RPX e fundador do Import.Ação Club, afirma que a construção de uma marca permite que o consumidor reconheça valor e prefira o produto, deixando de comparar a compra apenas pelo valor. Para o executivo, o desenvolvimento de embalagens diferenciadas e kits personalizados dificulta a comparação direta com concorrentes.
O processo de criação envolve a definição do problema que o produto resolve, a faixa de preço e a homologação de fábricas na China. Lopes explica que etapas como a análise de classificação fiscal, certificações e custos logísticos são essenciais, pois a cotação da fábrica pode se tornar inviável ao somar o custo total da operação.
A Global RPX atua na conexão entre a seleção de fornecedores e a análise de viabilidade financeira. O executivo avalia que o acesso à indústria chinesa tornou-se mais próximo, permitindo que companhias menores desenvolvam projetos que antes eram reservados apenas a grandes redes varejistas.


