Apesar da vasta disponibilidade de dados em tempo real e ferramentas de inteligência artificial, decisões incorretas continuam ocorrendo nas corporações. Segundo Ricardo Cappra, cientista de dados, o problema não é a quantidade de informação, mas a capacidade das organizações de interpretá-la.
O excesso de dados pode gerar o que se chama de “infoxication”, uma intoxicação informacional que dificulta a separação entre o relevante e o ruído. Cappra afirma que a complexidade informacional exige consciência para aprimorar o modelo de decisão. Ele observa que as companhias produzem mais painéis de controle do que conseguem consumir, transportando o problema para outra etapa.
Jessica Ariane, executiva de HCM na Senior Sistemas, acrescenta que o risco existe ao transformar a análise de dados em um processo burocrático, desconectado do apoio à decisão. Ela defende que a inteligência humana deve contextualizar os dados. Além disso, a IA pode gerar respostas simples que criam falsa sensação de conhecimento se o profissional não entender o processo por trás delas.
Os dados também carregam vieses. Cappra exemplifica o recrutamento, onde uma IA pode replicar critérios antigos. Por isso, os especialistas pedem supervisão e transparência. A executiva da Senior Sistemas ressalta que, embora a IA ajude a reunir informações para sucessão, a decisão final sobre um desligamento deve permanecer com a liderança humana.

