Meteorologistas alertam para a possibilidade de um El Niño severo, com risco de temperaturas recordes e eventos climáticos extremos. Empresas, especialmente nos setores de alimentos e químicos, já planejam contingências para os impactos econômicos esperados no próximo ano.
Bancos emitiram avisos sobre um possível choque de oferta que pode elevar preços, visto que o clima extremo interrompe cadeias produtivas. Os efeitos do fenômeno são cumulativos na economia, embora o El Niño não seja um evento inédito para tomadores de decisão, como ocorreram ciclos nas décadas de 1970 e 1990.
Diferentemente de ciclos passados, este El Niño ocorre em um cenário de aquecimento global de cerca de 1,5°C desde a Revolução Industrial. Modelos indicam uma diferença significativa nas temperaturas da superfície do mar, sinalizando um evento particularmente forte. Um ciclo típico dura menos de um ano, mas os danos econômicos podem se estender por mais tempo.
Um relatório do Banco Central Europeu apontou que um El Niño forte pode elevar os preços globais de commodities alimentares em até 9% em 16 meses após o início, com consequências que podem durar anos. Richard Shin, diretor financeiro da Jollibee Group, afirmou em uma reunião de resultados que a empresa avalia riscos de inflação e limitações na cadeia de suprimentos de forma ampla.
Estudos anteriores mostram o potencial de grandes perdas. Um artigo de 2023 publicado na revista Science registrou que o El Niño de 1982-1983 causou mais de 4 trilhões de dólares em perdas de renda global, enquanto o ciclo de 1997-98 atingiu 5,7 trilhões de dólares.

