Enchentes e deslizamentos de terra que atingiram o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira deixaram 494 mortos, somando 489 vítimas no território nepalês e cinco na região chinesa. O desastre, possivelmente causado pelo desmoronamento de uma geleira, deixou centenas de pessoas desaparecidas, incluindo cerca de 700 turistas estrangeiros.
No Nepal, os corpos foram recuperados nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, mas a maior concentração de vítimas ocorreu em Chitwan, área cortada pelo rio Trishuli. O Escritório de Turismo informou que 823 pessoas seguem desaparecidas no país, sendo 517 delas estrangeiras. Entre os não localizados estão 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malásios, 35 australianos, 33 britânicos, 25 canadenses e quatro espanhóis.
No Tibete, as autoridades chinesas registraram 558 desaparecidos, dos quais 260 são estrangeiros, após um deslizamento de lama atingir o porto de Gyirong. Imagens de vigilância mostram edifícios engolidos por detritos e veículos arrastados. A força da torrente foi registrada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como um evento sísmico de magnitude 5,2.
David Fisher, diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal, afirmou que povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos. O Exército nepalês realiza sobrevoos para resgate e moradores de áreas de risco receberam ordens de evacuação. Os Estados Unidos prometeram ajuda de US$ 500 mil.
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a mobilização de recursos para as buscas, definindo a localização dos desaparecidos como a tarefa mais urgente. O dalai-lama pediu medidas de ajuda adequadas às vítimas. Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), alertou que um bloqueio no curso do rio na fronteira entre os dois países pode provocar uma nova inundação.
A investigação busca confirmar se uma avalanche de gelo atingiu o rio Lhende, aumentando o volume de água no sistema do Bhote Koshi. Cientistas indicam que as mudanças climáticas têm aumentado a frequência e a intensidade de fenômenos extremos durante as chuvas de monções, que ocorrem entre junho e setembro no sul da Ásia.


