Enchentes que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete elevaram o número de vítimas para 273 mortos nesta quinta-feira (27). Pelo menos 1,3 mil pessoas de 30 países seguem desaparecidas, enquanto equipes de resgate vasculham distritos devastados por ondas de lama e detritos na região do Himalaia.
O distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, foi o primeiro atingido e tornou-se o epicentro da tragédia. As águas avançaram mais de 160 quilômetros para o sul, atingindo Chitwan, próximo à fronteira com a Índia. No total, mortes foram registradas em sete distritos diferentes. Cerca de 240 pessoas foram resgatadas com vida por helicópteros.
A agência nacional de gestão de desastres do Nepal informou que mais de 800 pessoas continuam sem contato, incluindo 580 turistas. No Tibete, a imprensa estatal chinesa reportou três mortos e 558 desaparecidos, entre eles 260 estrangeiros e oito alemães. Há 288 indianos desaparecidos, a maioria peregrinos que viajavam ao Monte Kailash.
Autoridades relataram que muitos corpos foram encontrados a quilômetros do local da enchente, arrastados rio abaixo. Operações de socorro com 7,4 mil profissionais enfrentam estradas intransitáveis e falhas de comunicação devido à espessa camada de lama na passagem fronteiriça de Gyirong. A enxurrada destruiu pontes, barragens e soterrou residências.
Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil para abrigos e suprimentos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ativou o serviço de observação da Terra Copernicus para mapear a área. Alemanha, Nações Unidas e União Europeia também ofereceram apoio. Não há registro de brasileiros entre as vítimas.
A causa do desastre está sob investigação. Análises preliminares de imagens de satélite indicam que uma avalanche glacial pode ter bloqueado um afluente do rio Bhotekoshi, criando um lago temporário que transbordou. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou tremores de magnitude 5,2, que podem ter sido gerados pelo colapso de uma geleira.

