O endividamento das famílias brasileiras alcançou 82% em julho, marcando o maior patamar da série histórica iniciada em 2010. O dado, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), indica que o índice subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho.
O percentual reflete famílias com dívidas a vencer, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos. Embora a proporção de famílias que se considera muito endividada tenha caído ligeiramente, o comprometimento da renda com dívidas piorou. O percentual de consumidores que destinam mais da metade dos rendimentos mensais ao pagamento de dívidas subiu para 19%, o maior nível desde março.
Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência registrou recuo, passando de 29,9% em junho para 29,8% em julho. O tempo médio de atraso caiu para 64,6 dias, o menor desde dezembro de 2025. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, declarou que a redução da taxa Selic contribui para diminuir o custo das operações de crédito.
A análise por faixa de renda aponta disparidades. Famílias com renda de até três salários mínimos concentram 84,9% dos endividados e 38,5% da inadimplência. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirmou que as renegociações auxiliam os consumidores e que medidas de alívio ao trabalhador são necessárias.

