O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível da série histórica em julho de 2026. O levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que 82% dos consumidores possuíam dívidas a vencer no período, um aumento de 3,5 pontos na comparação anual.
Os dados mostram um quadro contraditório: enquanto programas de renegociação ajudaram parte dos consumidores a regularizar pendências, o comprometimento da renda com dívidas continua avançando. O percentual de contas em atraso caiu de 29,9% para 29,8% entre junho e julho, segundo a CNC. Contudo, mais famílias assumiram dívidas, e uma parcela maior da renda está comprometida com pagamentos.
Um ponto de atenção é o crescimento de famílias com mais da metade da renda comprometida. Em julho, 19% das famílias estavam nessa situação, o maior índice desde março deste ano. Em média, os consumidores endividados destinavam 29,5% da renda mensal para quitar compromissos financeiros. O grupo de menor renda, que recebe até três salários mínimos, registrou 84,9% de endividados, um novo recorde.
Apesar da pressão orçamentária, o tempo médio de atraso das contas caiu para 64,6 dias, o menor nível desde dezembro de 2025. A redução na parcela de atrasos superiores a 90 dias indica que programas de renegociação ajudaram a reorganizar dívidas. O desafio, no entanto, permanece na estrutura do endividamento, com o crédito sendo usado para sustentar o consumo.

