A endometriose, condição em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, pode se manifestar sem dores intensas, o que dificulta o diagnóstico. Especialistas alertam que a ausência de cólicas fortes não descarta a enfermidade, que pode afetar ovários, intestino e bexiga.
O ginecologista Diler Pereira da Silva afirmou que nem toda paciente com endometriose sente dor intensa. Algumas mulheres descobrem a doença durante investigações de infertilidade ou por outros exames. Segundo o médico, a avaliação deve considerar o histórico completo da paciente, pois ela pode apresentar sintomas discretos ou nenhum sintoma evidente.
Além da dor, a doença pode causar desconforto durante relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias ligadas ao ciclo menstrual. César Patez, ginecologista e obstetra, observou que a endometriose pode reduzir a fertilidade, mas isso não implica dificuldade para engravidar em todos os casos. Ele recomendou que o planejamento reprodutivo faça parte da avaliação médica.
Paulo Noronha esclareceu que engravidar não cura a endometriose. Embora as alterações hormonais durante a gestação possam aliviar sintomas, as lesões não desaparecem. Com o retorno dos ciclos menstruais após o parto, as manifestações podem voltar, dependendo da extensão da doença.
O tratamento não é único. Diler Pereira da Silva completou que a conduta médica depende da extensão da doença, do impacto na qualidade de vida e dos planos de saúde da paciente. O acompanhamento clínico pode ser suficiente, ou a cirurgia pode ser indicada, sem que a intensidade da dor seja o único critério de decisão.


