Golpes baseados em engenharia social respondem por 40% dos indícios de fraudes financeiras no Brasil. No primeiro semestre de 2026, foram registrados mais de 9 milhões de casos suspeitos ou confirmados. A estratégia criminosa explora a confiança da vítima para obter dados ou realizar transferências.
A pesquisa da Quod, especialista em inteligência de dados para o mercado de crédito, mostrou que a engenharia social representou mais de 3,6 milhões dessas ocorrências. O celular foi o principal canal de ataque, presente em 78% dos casos. O Pix aparece como meio de movimentação em 85% das fraudes registradas.
Os criminosos utilizam táticas que criam urgência, medo ou falsa autoridade. Em golpes de falso call center, por exemplo, o fraudador alega ter detectado uma transação suspeita e orienta a vítima a tomar medidas para proteger a conta. Ataques mais complexos combinam ligações, WhatsApp, SMS e e-mails, e a inteligência artificial facilita a clonagem de voz e a criação de documentos falsos.
Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, alerta que a prevenção deve ocorrer antes do prejuízo. Ele destaca que o debate público foca mais em denúncias após o dano do que em métodos preventivos. Para o consumidor, a regra é desconfiar de qualquer senso de urgência imposto.
Os jovens de 18 a 34 anos são a maioria das vítimas, representando 49,06% dos atingidos. Além disso, 58% das vítimas recebem até dois salários mínimos. As instituições financeiras têm avançado com a Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de dados de fraude entre elas.


