A possível inclusão do Irã no Novo Banco de Desenvolvimento, instituição dos BRICS, eleva a exposição geopolítica do Brasil. Segundo Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o movimento intensifica a disputa entre Estados Unidos e China.
Rudzit explica que a aproximação beneficia o Irã, que necessita de recursos para reconstrução, e a China, que busca alternativas ao sistema financeiro ocidental. O professor afirmou que a mudança sinaliza uma fragmentação da ordem internacional, afetando desde o sistema financeiro até a produção global. Ele considera que os fatores geopolíticos passam a pesar mais nas decisões de investimento empresarial.
O especialista aponta que o Brasil já participa da disputa por integração ao bloco e discussões sobre alternativas ao dólar. Com a provável entrada do Irã, essa exposição aumenta, especialmente porque Washington tenta limitar a influência de potências externas no Hemisfério Ocidental. Rudzit sugere que o país deve diversificar relações com potências médias, como a Índia, para reduzir a dependência dos dois polos.
Apesar das iniciativas dos BRICS para criar alternativas financeiras ao dólar, Rudzit não prevê uma perda imediata da dominância da moeda americana. Ele menciona que moedas como o yuan ainda enfrentam limitações de conversibilidade. O professor conclui que a posição geográfica e geopolítica do Brasil deve guiar suas decisões de inserção econômica internacional.


