A sequência de denúncias que atinge governo e oposição pode fazer parte do eleitorado tratar os novos episódios como ruído da campanha, avalia o cientista político Carlos Melo, professor do Insper. Ele aponta que a rapidez com que um caso substitui outro enfraquece o debate.
Melo afirmou que ocorre uma banalização do escândalo. Os fatos acontecem de forma vertiginosa, e o eleitor começa a ver a situação como ruído. A análise foi feita durante o programa Mapa de Risco, que discute a estratégia de campanhas.
A disputa eleitoral envolve o uso de vulnerabilidades de ambos os lados. Um lado explora casos relacionados a descontos indevidos do INSS e suspeitas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O outro utiliza episódios ligados ao Banco Master e ao candidato do PL.
O professor Melo considera que esse cruzamento de vulnerabilidades impede que um lado domine a pauta da corrupção. Ele comparou a dinâmica a um jogo onde, ao acusar, o lado atacante precisa se defender de contestações.
A analista Bárbara Baião, da XP, também observa limites na exploração desse tema. Ela disse que a corrupção, antes bandeira forte do bolsonarismo, é maculada por notícias envolvendo o candidato do PL, o que diminui sua legitimidade no enfrentamento ao tema.


