Escavações realizadas no Seringal do Jauari, em Itacoatiara, Amazonas, confirmaram a existência de um antigo cemitério indígena. A pesquisa identificou quatro pontos com urnas funerárias e mais de 200 fragmentos arqueológicos no sítio.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou o proprietário da área após o início de uma construção. Um estudo de salvamento arqueológico foi solicitado para preservar o local, que possui vestígios de povos que ocuparam a região antes da chegada dos europeus.
Arqueólogos interromperam os trabalhos para preservar o contexto funerário, segundo a arqueóloga Elaine Cristina Guedes Vanderlei. Os achados confirmam a função cemiterial da área, e as quatro urnas encontradas não serão retiradas. O material coletado, incluindo peças de cerâmica e fragmentos decorados, será levado a Manaus para análise na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
A pesquisa atual dialoga com um estudo de vinte e dois anos atrás, quando pesquisadores localizaram uma urna contendo restos mortais de oito pessoas. A engenheira ambiental Kesia Maia explicou que o local funcionará como guardião do sítio, exigindo consulta arqueológica e ambiental em qualquer obra futura.
O município de Itacoatiara registra atualmente quarenta e seis sítios arqueológicos no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), número superior ao de dois mil e doze. A visita ao Seringal do Jauari também incluiu estudantes, que tiveram contato com a pesquisa para aprender sobre a história indígena da região.


