A Espanha ameaça adotar medidas contra a Itália caso o país mantenha os controles de fronteira impostos a viajantes vindos do território espanhol. As restrições foram implementadas após a chegada em massa de imigrantes a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, interrompendo a livre circulação prevista pelo Acordo de Schengen.
O governo espanhol classificou a decisão italiana como “injusta”, “discriminatória” e contrária aos interesses da União Europeia, segundo comunicado divulgado na sexta-feira. Madri afirmou que nenhum dos migrantes que entraram irregularmente em Ceuta alcançou a Europa continental ou circulou livremente pelo Espaço Schengen, o que, na avaliação do governo, elimina a justificativa para a manutenção dos controles.
A divergência entre os países foi notada durante reunião da União Europeia sobre a crise migratória em Ceuta, realizada na terça-feira (4). Na ocasião, a Itália defendeu o envio de imigrantes irregulares para centros de deportação em países terceiros, proposta que a Espanha rejeitou.
O comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, declarou que a reunião confirmou que os migrantes não alcançaram a Europa continental. Ele explicou que a chegada em massa foi estimulada por organizações de tráfico humano e pela disseminação de informações falsas nas redes sociais.

