A perimenopausa, fase de transição hormonal que geralmente começa após os 40 anos, apresenta sintomas como cansaço, alterações no sono e irritabilidade. A endocrinologista Dra. Penélope Tabatinga alerta que o diagnóstico exige avaliação clínica, pois a transição é marcada por oscilações hormonais, e não por uma parada súbita.
A especialista explica que, diferentemente da ideia de uma queda abrupta de hormônios, a perimenopausa envolve oscilações significativas, especialmente do estradiol. Além das alterações menstruais, mulheres podem sentir dificuldade de concentração, redução da libido e dores musculares. Para casos típicos em mulheres saudáveis a partir dos 45 anos, a avaliação é predominantemente clínica, visto que uma dosagem hormonal isolada pode não refletir as características dessa fase.
Sobre o início do tratamento, Dra. Penélope Tabatinga afirmou que, se a mulher apresenta sintomas que comprometem sua qualidade de vida e não possui contraindicações, a terapia hormonal pode ser considerada mesmo que ela esteja menstruando. Contudo, a indicação depende de análise individual de sintomas, histórico e fatores de risco. Entre as manifestações com indicação estabelecida para a terapia sistêmica estão as ondas de calor e a sudorese noturna.
A médica também esclareceu a relação entre hormônios e câncer, dizendo que “Não existe um único ‘risco da reposição hormonal’. O risco depende de diversos fatores: idade em que o tratamento é iniciado, presença ou ausência do útero, tipo de estrogênio, necessidade e tipo de progestagênio, via de administração, duração do tratamento e risco basal daquela mulher”. Ela concluiu que o objetivo da consulta deve ser entender a transição, excluir outras causas e decidir a melhor estratégia de segurança e qualidade de vida.

