Especialistas em relações internacionais e tecnologia alertam para o risco de ações cibernéticas dos Estados Unidos e de manipulação por grandes empresas de tecnologia. O objetivo seria influenciar as eleições gerais brasileiras de outubro, em um cenário de escalada de tensões internacionais.
O pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, disse que um memorando assinado pelo presidente dos EUA na última quarta-feira (12) autoriza o uso de grandes empresas em operações de “vigilância cibernética” e “efeitos cibernéticos”. Aragon descreveu os efeitos do documento como “assustadores”, citando a possibilidade de espionagem e ataques de hackeamento para beneficiar ou prejudicar candidatos.
O memorando prevê parceria entre a Casa Branca e empresas privadas para acessar sistemas de informação sem permissão do proprietário. Ele também contempla a Operação de Efeitos Cibernético, que atua em redes de telecomunicações e sistemas de controle industrial, podendo causar manipulação ou destruição de infraestrutura. Aragon defendeu que o Brasil desenvolva sua infraestrutura digital, visto que sistemas sensíveis estariam sob controle de empresas americanas.
O professor de história Euclides Vasconcelos avaliou que novas interferências dos EUA nas eleições são esperadas, incluindo a tentativa de descredibilizar o sistema eleitoral. Segundo ele, as grandes empresas de tecnologia possuem capacidade de mobilizar e influenciar grupos específicos da população. Vasconcelos mencionou que a doutrina de segurança dos EUA, divulgada no final de 2025, visa a proeminência do país sobre a América Latina, vendo o Brasil como um potencial desafiador.


