A planta consumida pelos companheiros de Odisseu na ilha de Calipso, que os fez esquecer o desejo de voltar para casa, permanece um mistério. Especialistas em antiguidade e botânica analisaram o termo ‘lótus’ e sugerem que ele pode não se referir a uma única espécie, mas sim a diversas plantas com efeitos sedativos ou alucinógenos.
A etnobotânica Cassandra Quave afirmou que o ‘lótus’ de Homero provavelmente não é a planta asiática conhecida hoje, mas sim um termo antigo usado para diversas árvores e arbustos silvestres. A localização exata dos comedores de lótus também não foi definida pelo poeta, segundo James Diggle, professor emérito de grego e latim em Cambridge.
Diversas espécies foram levantadas como candidatas. A planta Ziziphus lotus, nativa do Mediterrâneo, possui leves efeitos sedativos. Outra hipótese aponta para a flor Nymphaea caerulea, o lótus azul, cujas representações em tumbas egípcias indicam uso para aliviar a ansiedade e induzir o sono. Contudo, Alan Sumler argumenta que o consumo diário de ópio, disponível na época, se assemelha mais ao hábito dos comedores de lótus, sugerindo um vício.
Kirk Freudenburg, classicista de Yale, sugere que o lótus pode ser uma figura da imaginação mítica, combinando qualidades sedutoras e perigosas, sem um equivalente exato no mundo real. Peter Struck, professor de humanidades da Universidade da Pensilvânia, comenta que a busca pelo lótus é uma forma de imaginar que a magia do mito faça parte do nosso mundo.


