Especialistas debateram os desafios do setor audiovisual brasileiro diante das plataformas de streaming e da inteligência artificial. O encontro abordou como as grandes empresas digitais alteram a produção cultural e os modelos de negócio, impactando a soberania nacional.
Dani Ribas, socióloga e coordenadora do Instituto Abramus, analisou o novo modelo de financiamento. Ela classificou o momento do streaming como uma “acumulação primitiva do capital”, onde a riqueza é gerada sem regras claras em um mercado ainda não organizado. Ribas explicou como a arquitetura das plataformas direciona a escuta musical, diminuindo o retorno financeiro aos artistas.
Helder Quiroga, diretor de cinema e pesquisador, alertou para a “uberização” da produção audiovisual. Ele defendeu que o direito autoral e intelectual brasileiro constitui uma “terra rara” ameaçada pela falta de regulação das plataformas. Quiroga propôs o fortalecimento das “fronteiras digitais” para proteger o ativo cultural nacional.
Minom Pinho, produtora de cinema, enfatizou a necessidade de regulamentação do vídeo sob demanda (VOD). Ela defendeu cotas de conteúdo nacional nas plataformas, citando o exemplo europeu de 30%. Pinho criticou a lentidão do governo em enfrentar o lobby de empresas transnacionais.
Nichollas Alem, consultor da UNESCO, apontou gargalos no financiamento, como a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que retira trinta por cento dos recursos da CONDECINE. Alem também mencionou que produtoras brasileiras cedem integralmente a propriedade intelectual em contratos com plataformas como Netflix e Disney.


