Representantes de instituições portuárias e de navegação discutiram, nesta quarta-feira (26), em Porto Alegre, a urgência de investimentos em dragagens e desassoreamento para assegurar a navegabilidade dos rios gaúchos. O debate, organizado pela Sociedade de Engenharia do Estado do Rio Grande do Sul (Sergs), focou na recuperação da infraestrutura aquaviária após as enchentes de 2024.
A discussão destacou a necessidade de monitoramento constante e dados em tempo real sobre o comportamento das águas e sedimentos. Daniela Cardeal, conselheira da Sergs e mediadora do evento, afirmou que a atualização desses estudos é fundamental para o avanço da pauta.
O custo financeiro e a gestão ambiental foram pontos centrais. Carlos Tucci, diretor de Hidrologia da Rhama Analysis, informou que a retirada e o descarte ecologicamente responsável de sedimentos custam cerca de US$ 45 por metro cúbico. Tucci relacionou as dificuldades atuais a problemas históricos de gestão e investimento.
Para Wilen Manteli, presidente da Hidrovias RS, as soluções para os desafios dos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário dependem de investimentos. O diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, relatou as dragagens feitas entre 2024 e 2026 e defendeu a construção de um sistema aquaviário resiliente às mudanças climáticas, com a ampliação de portos interiores.
A segurança da navegação é a prioridade da Capitania Fluvial de Porto Alegre, segundo o comandante Leandro Ferreira de Almeida. A instituição acompanha os esquemas de dragagem para auxiliar na melhoria das ações de monitoramento.
O impacto do assoreamento também atinge a navegação de recreio. Manfredo Flöricke, presidente da Sociedade Amigos da Marinha de Porto Alegre (Soamar-POA), disse que as raias de regata no Cristal e em Ipanema estão praticamente inviáveis para a prática esportiva, resultando em acidentes e danos a embarcações.


