O número de espécies exóticas de moluscos no Brasil cresceu 215% nos últimos 15 anos, saltando de 26 para 82, conforme o primeiro inventário nacional sobre os organismos. Dessas, 20 são classificadas como invasoras, capazes de causar danos ecológicos, socioeconômicos ou à saúde, segundo o estudo.
O levantamento, liderado por Fabrizio Marcondes Machado, da Unicamp, detalha que as espécies não nativas abrangem ambientes terrestres, aquáticos de água doce e marinhos. Marcel Sabino Miranda, que participou da pesquisa, afirmou que há uma taxa acelerada de introdução de moluscos não nativos no país, e que existem lacunas no conhecimento taxonômico e ecológico dessas espécies.
Entre os organismos problemáticos, citam-se o mexilhão-dourado, que chegou ao Brasil nos anos 1990 e causa entupimentos em usinas hidrelétricas, e o caramujo-africano, introduzido como alternativa ao escargot. Para combater o mexilhão-dourado, estima-se que cerca de US$ 10 milhões já foram aplicados no país.
Os pesquisadores defendem o fortalecimento de medidas de biossegurança e monitoramento de longo prazo. O estudo também classificou os organismos segundo diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, definindo categorias como ‘invasoras’ e ‘detectadas’, reforçando a necessidade de políticas para conter ou erradicar os prejuízos causados.

