Uma empresa planeja lançar espelhos em órbita para direcionar luz solar à Terra. Um novo estudo indica que essa tecnologia pode clarear o céu noturno em áreas muito além do alvo pretendido, afetando a observação astronômica.
A Reflect Orbital, empresa sediada nos Estados Unidos, pretende testar um satélite em órbita, o Eärendil-1, que levará um espelho de dezoito por dezoito metros. O objetivo é validar planos futuros de lançar até cinquenta mil satélites maiores, medindo cinquenta e quatro por cinquenta e quatro metros, para refletir luz solar sob demanda.
Pesquisadores calcularam o efeito da dispersão de luz. Em uma área circular de cinco quilômetros, um único satélite da Reflect Orbital apareceria cerca de quarenta vezes mais brilhante que a lua cheia. Ao combinar os feixes de quatrocentos satélites, a luminosidade atingiria o equivalente a dez mil luas cheias na área de cinco quilômetros.
O impacto se estenderia por até oitenta quilômetros, onde o feixe combinado seria visível como um brilho acima do horizonte, segundo Miroslav Kocifaj. O cientista afirmou que a implantação desses espelhos causaria dano sério à astronomia e ao ambiente noturno, visto que o prejuízo ultrapassa a área de foco.
A CEO da Reflect Orbital, Ben Nowack, discorda dos cálculos, dizendo que os modelos consideram salvaguardas e zonas de exclusão. Contudo, Kocifaj apontou que a empresa não forneceu dados concretos para sustentar tais alegações, enquanto grupos ambientalistas pediram à Federal Communications Commission que revisasse a aprovação do satélite.

