A realização de dois shows do rapper americano Kanye West, conhecidos como Ye, na Rússia, está incerta após a Gazprom Arena, em São Petersburgo, negar a contratação do espaço. As apresentações, marcadas para 10 e 11 de outubro, geraram divisão entre autoridades russas e revolta de consumidores que já haviam adquirido ingressos.
Os ingressos foram disponibilizados no início do mês pela Say Agency, organizadora sediada em Moscou. Os preços variaram entre US$ 100 (R$ 520) e US$ 2 mil (R$ 10.400), com as entradas mais baratas esgotadas em poucas horas. Segundo a mídia estatal, mais de 100 mil bilhetes foram vendidos antes de o estádio informar que não havia assinado contrato para o evento.
A Say Agency negou o cancelamento e pediu paciência aos compradores enquanto busca uma solução. A apuração da imprensa local indica que a desistência do local teria ocorrido após um telefonema de Moscou, pois o evento não teria sido aprovado por todas as instâncias governamentais necessárias.
O caso divide o governo russo. Algumas autoridades veem a vinda do artista como forma de dissipar a imagem de isolamento do país desde a ofensiva contra a Ucrânia, em 2022. Por outro lado, Ekaterina Mizulina, chefe do órgão de fiscalização da segurança na internet, criticou o rapper por declarações anteriores de admiração a Adolf Hitler.
Kanye West já foi proibido de entrar em países europeus por comentários antissemitas. Em janeiro, o artista atribuiu comportamentos passados ao transtorno bipolar em anúncio no Wall Street Journal. O parlamentar Vitaly Milonov, embora tenha classificado as atitudes do músico como vis e obscenas, manifestou-se contra a proibição de sua entrada no país.
Outros locais se ofereceram para sediar as apresentações. O Estádio Lujniki, em Moscou, afirmou que consideraria receber os shows, enquanto Vladimir Vladimirov, responsável por um museu medieval próximo a Anapa, também disponibilizou sua arena. O rapper, que pode ter recebido adiantamentos milionários, não comentou a situação.

