Seis redes estaduais lideram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino médio em 2025. As estratégias adotadas incluem a recomposição de conteúdos não aprendidos e a ampliação da jornada escolar. O Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados no início do mês.
A recomposição de aprendizagens consiste em aplicar avaliações no início do ano para mapear o conhecimento dos alunos. A partir desse diagnóstico, as escolas desenvolvem métodos para recuperar o que foi perdido. O secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, afirmou que essa medida ajudou o estado a obter bom desempenho, mesmo com apenas sete por cento dos alunos em tempo integral.
O Paraná, com Ideb de 5,1, padronizou currículo, material didático e formação de professores, criando metas e bônus para as escolas. O Piauí, com Ideb de 4,9, focou na ampliação para nove horas diárias e ensino técnico, além de reduzir o número de estudantes por turma. Rodrigo Torres, secretário de Educação do Piauí, declarou que isso permitiu cumprir o currículo base e incluir disciplinas inovadoras.
O crescimento das matrículas em tempo integral também foi um fator relevante. O Piauí elevou sua participação de dezenove por cento para oitenta e um por cento. Em contraste, o Rio Grande do Sul, que passou por enchentes em 2024, aumentou sua frequência em tempo integral de quatro por cento para vinte por cento, utilizando inteligência artificial para prevenir a evasão.
Especialistas apontam que, embora as práticas de recuperação sejam úteis, elas não substituem anos de aprendizado. Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford, observou que defasagens acumuladas precisam ser corrigidas desde os anos iniciais. A diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira, acredita que resultados mais fortes ocorrem quando todas as matrículas são em tempo integral, com dedicação exclusiva dos professores.


