O estelionato consolidou-se como o principal crime patrimonial no país, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2025, foram registrados 2.261.055 boletins de ocorrência, o que representa 258 golpes por hora. O volume de ocorrências subiu 429,8% em comparação com 2018.
A criminalidade patrimonial migrou para o ambiente digital, e os golpes deixaram de ser atos isolados. Especialistas apontam que o mercado criminoso opera de forma estruturada, com divisão de tarefas análoga a uma empresa. A engenharia social, que explora emoções como medo e urgência, é usada para manipular a vítima antes da transferência de valores.
O profissional José de Souza Junior, especialista em cibersegurança, afirmou que a fraude muitas vezes ocorre na falsa identidade ou na promessa enganosa, e não apenas com a movimentação via Pix. Um relatório da empresa de segurança digital BioCatch mostrou um crescimento de 340% em golpes com dispositivos roubados em 2025.
Apesar do endurecimento legislativo trazido pela Lei nº 15.397, de 30 de abril de 2026, o especialista defende a necessidade de coordenação institucional. Ele cita exemplos internacionais, como Singapura e Reino Unido, onde a integração entre bancos, polícia e tecnologia gerou maior resolução de casos.
Para a resolução do problema, é preciso criar uma estrutura permanente que reúna polícias, Banco Central e instituições financeiras, garantindo comunicação em tempo real e bloqueio cautelar de valores. A conscientização, segundo ele, não pode ser vista como solução única.


